Balançou tudo', relata moradora sobre tremor de magnitude 3.8 no Agreste

24/02/2016 23:58

Mulher mora perto de epicentro do abalo de magnitude 3.8 em São Caetano.
Técnicos do LabSis visitaram o município de PE nesta quarta-feira (24).

A agricultora Janaína Maria da Conceição Santos mora próximo ao epicentro do tremor registrado no Agreste (Foto: Paula Cavalcante/ G1)A agricultora Janaína Maria da Conceição Santos mora próximo ao epicentro do tremor registrado no Agreste (Foto: Paula Cavalcante/ G1)
Moradores da zona rural de São Caetano, no Agreste de Pernambuco, foram visitados nesta quarta-feira (24) por técnicos do Laboratório Sismológico (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O objetivo era mapear a área para identificar o lugar mais aproximado do epicentro do tremor de 3.8 de magnitude registrado na terça-feira (23). O ponto mais perto apontado pelos sismólogos foi uma propriedade no Sítio Boa Vista.
A agricultora Janaína Maria da Conceição Santos, de 21 anos, mora em uma das comunidades próximas ao epicentro. "Eu me agarrei nos meninos. Só vi as telhas balançando. Balançou tudo mesmo, até as paredes tremeram, parecia que estavam dançando. Dançou tudo", relatou ao G1.

"A gente tem o dado instrumental, que já dá para você uma referência de onde ocorreu, e a gente vem fazer o trabalho chamado de macrocismo, que é ver o efeito na parte estrutural e também nas pessoas", explicou o sismólogo Eduardo Menezes, do LabSis.

Ainda de acordo com Menezes, não há como prever um tremor. "O que se pode fazer é um acompanhamento, até mesmo da evolução temporal. São eventos que acontecem durante um determinado período, com frequência pequena. Pode ter evento de magnitudes maiores como também pode ter período de vários eventos de pequena intensidade".

Quem também estava em casa e sentiu o tremor foi a agricultora Janilda Maria Regina da Conceição, de 20 anos. "Tava sentada quando pensa que não começou a tremer. Senti tremendo muito, mexendo bastante a estante, um monte de coisa dentro de casa."

Na cidade, o ambulante Manuel Messias, de 46 anos, contou que estava encostado em uma parede quando o tremor foi registrado. "Para mim o prédio ia cair. A barraquinha do cachorro-quente balançou todinha na calçada. Deu um susto medenho. Quem tava dentro de casa correu para o meio da rua".

Sobre o fato de moradores de municípios mais distantes terem relatado que sentiram o tremor, como por exemplo Catende, na Mata Sul, o sismólogo afirmou que quando a magnitude é de 3.8 a 4, é possível sentir em um raio de até 100 quilômetros.

Mais de 200 tremores
No intervalo de pouco mais de 17 horas, foram registrados 259 tremores em São Caetano e Caruaru, no Agreste de Pernambuco, entre as 12h da terça-feira (23) e as 5h30 desta quarta (24). A informação é do Laboratório Sismológico (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). De acordo com o sismólogo Eduardo Menezes, "o epicentro do fenômeno foi em São Caetano. O abalo de 3.8 de magnitude atingiu um raio de 50 quilômetros".

Moradores de outras cidades relataram em redes sociais que também sentiram os abalos: Toritama, Agrestina, Riacho das Almas, Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Tacaimbó e Camocim de São Félix, no Agreste; além de Catende, Água Preta, Belém de Maria e Palmares, na Mata Sul. Renan Lima é formado em Relações Internacionais e mora em Caruaru. Ele é uma das pessoas que sentiu o abalo. "Foi o mais forte que já presenciei", contou ao G1.

Eduardo Menezes, sismólogo do Laboratório Sismológico (LabSis) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) (Foto: Paula Cavalcante/ G1)Sismólogo Eduardo Menezes monitorou área do epicentro do tremor de 3.8 de magnitude registrado no Agreste pernambucano (Foto: Paula Cavalcante/ G1)

Causa dos tremores
O sismólogo Eduardo Menezes esclareceu ao G1 que estes fenômenos fazem parte do mecanismo do planeta Terra. "Em determinados locais da Terra, os esforços ou forças que atuam no interior do planeta provocam movimentos nas rochas fazendo elas se moverem. É assim que se geram os tremores. Em alguns lugares [os abalos] são fortes e em outros, fracos. Às vezes os fenômenos nem chegam a ser observados", explicou.

Por Victor Simão - DA REDAÇÃO G1 CARUARU

 

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